A Tragédia dos Treinamentos

Maria Clara Whitaker

Coach e CEO da VITAMINA

Você já deve ter ouvido falar desses programas de treinamento de RH: palestras motivacionais, desenvolvimento de competências, liderança, liderança e mais liderança. Geralmente as pessoas falam sobre esses treinamentos no mínimo com algum grau de desdém.

E com razão.

Não me entendam mal: Alguns desses treinamentos realmente são muito bons. Eu mesma já dei vários deles. Só que eu já cansei – cansei mesmo – de ver como em muitos casos certos treinamentos trazem junto uma grande tragédia, que nem um chapéu mal sucedido em uma roupa de grife.

Explico.

Empresas são geralmente montadas em torno da diretriz da redução de custos para aumentar os lucros. Ponto. Para que possam se organizar, há orçamentos, que muitas vezes incluem algum tipo de investimento na melhoria da eficiência dos seus funcionários.

Até aqui, tudo bem.

Só que ao longo do ano, as coisas vão mudando. O mercado vira, o dólar sobe ou cai, os interesses internos ditam novas direções, os concorrentes fazem uma coisa mais bacana, sei lá. E o orçamento, que já era enxuto, vai se moldando às novas condições.

O problema é o seguinte: muitas empresas, afogadas em malabarismos de objetivos, esperam até o fim do ano para ver quanto do orçamento sobrou para fazer treinamentos, negociam preço com as consultorias, e estas então “reduzem o escopo”, o que quer dizer que elas montam um produto mais simples, menor, não tão eficiente, mas que atende às demandas do cliente. Aí, em plena época pré-Natal, em que está todo mundo enlouquecido, joga-se o povo em uma sala fechada durante uns dias pra falar sobre algo que já se sabe, e para e engordar nos deliciosos coffee breaks. As mensagens piscando nos Blackberries ressaltam o quanto esses treinamentos representam obstáculos para as métricas mirabolantes que as pessoas têm que atingir naquele exato momento.

O que faz doer meu coração?

No final desses treinamentos, as pessoas confidenciam que adoraram, e que querem saber quais os próximos passos – um coaching, um rumo mais interessante para as suas carreiras, uma ajuda para entender melhor o funcionamento de suas próprias equipes, ou de melhorar o relacionamento com um colega ou amigo, enfim: o que for.

Só que na maioria das vezes, não há próximos passos, porque não há mais orçamento. A tragédia é que as pessoas precisam de desenvolvimento, sim. Elas desejam isso. Elas estão desesperadas por isso. É natural que as pessoas queiram evoluir, dar sentido às suas vidas. As pessoas querem ser felizes.

O que fazer se as empresas não têm verba extra para investir na motivação e na evolução dos seus funcionários?

Bom, podemos fazer duas coisas:

1. A primeira é refletir sobre a injustiça de nos empenharmos tanto em favor dos resultados da empresa, e não recebermos de volta aquilo que nós precisamos para atingir nossas metas pessoais.

2. A segunda é mais trabalhosa. Sugerimos parar por aqui se você quiser um caminho de menor esforço. No entanto, é milhares de vezes mais recompensadora. Envolve assumirmos a responsabilidade pela nossa própria felicidade, em vez de delegá-la a outros. Estudar as opções que temos, e ter coragem e disposição para cuidarmos dos nossos objetivos. O que você pode fazer hoje, agora, para te levar um passo mais perto da felicidade?

 

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