Virtudes e Defeitos

Maria Clara Whitaker

Coach e CEO da VITAMINA

Ao publicar o artigo, Perguntas Inevitáveis e Respostas Certeiras em Entrevistas de Emprego, optei por excluir a mais frequente e mais contundente pergunta inevitável, feita por 10 entre 10 entrevistadores: “Quais as suas maiores qualidades? E quais os seus maiores defeitos?”

Esse assunto é tão importante que merece um artigo exclusivamente dedicado a ele. Saber falar das suas virtudes e defeitos é uma arte reservada a aqueles que têm capacidade de reflexão, uma auto crítica saudável, e a habilidade de transformar problemas em planos de ação com resultados úteis e tangíveis. E, garanto, é isso que os recrutadores buscam.

Antes de mais nada, escape dos chavões!

Não há nada que entretenha os recrutadores mais do que um candidato que fale, em seus pontos positivos, “Sou motivado pelo trabalho,” e, nos negativos, “Sou perfeccionista demais,” ou ainda, “Eu trabalho demais.” Sério: de que forma você ser “uma pessoa que trabalha demais” poderia ser ruim para quem estaria querendo comprar o suor da sua testa? Essas são variações do velho tema, “Eu juro que sou um investimento com bom retorno pra vocês. Prometo que me esfolarei no serviço, mas por favor me deem este emprego.” Pior: para muitos recrutadores, esses chavões não contém mais do que meio pingo de verdade. Resultado: tiro no pé. Em vez de o recrutador perceber você como uma pessoa dedicada e esforçada, verá alguém dissimulado e/ou incapaz de fazer uma autocrítica consistente.

Como falar sobre suas fortalezas

  1. Faça uma longa lista de coisas que você sabe que faz bem, e um caso em que você as tenha feito com resultados bacanas (isso é importante). Vale desde aqueles talentozinhos aparentemente insignificantes (conseguir conversar com qualquer tipo de pessoa, ou saber quais o nome dos atores de todos os filmes) até as coisas mais diretamente relacionadas a trabalho (fazer contas rapidamente, negociar termos de acordos). Sublinhe tudo aquilo em que você tenha recebido elogios pelo que fez.                 
  2. Em seguida, pense em todas as coisas que você gosta de fazer. Essa será a sua lista de motivadores. Vá além do simples “Ir ao cinema” ou “Ficar com a família.” Pense nos seus hábitos, nas suas atividades profissionais, e especialmente, naquilo que você passaria muito tempo fazendo se não dependesse de dinheiro ou de status. Pode ser arrumar as gavetas de casa, fazer pequenos consertos, organizar festas surpresa, elaborar novos produtos, redigir contratos precisos. O que for.               
  3. Agora, identifique, dentre as atividades nas quais você é bom, aquelas em que incluem pelo menos um aspecto da sua lista de motivadores. Dê um ponto por atividade motivadora atribuída a uma atividade na qual você é bom. Isso é vital, porque as pessoas são muito mais propensas a fazer as atividades nas quais são boas, desde que essas atividades lhes deem prazer. Lembre-se disso.

As suas fortalezas vitaminadas, portanto, serão as 3 ou 4 atividades sublinhadas e com exemplos reais nas quais você tenha a maior pontuação em motivação.  Por exemplo: eu sou boa em montar apresentações. As pessoas elogiam muito as apresentações que eu faço, portanto sublinho “montar apresentações” na minha lista de atividades. Além do mais, ao montar apresentações, eu consigo exercer dois grandes motivadores meus: fazer coisas visualmente interessantes, e ensinar pessoas.

Dessa forma, quando um recrutador me faz a fatídica pergunta, “Quais são os seus talentos,” posso contar para ele uma das minhas fortalezas vitaminadas: “Eu sou muito boa em elaborar apresentações interessantes que tenham grande impacto de aprendizado para a plateia. Por exemplo...” E então conto um caso real em que o resultado tenha sido fabuloso.

Como falar sobre suas fraquezas

  1. Comece fazendo uma lista de todas as características ou comportamentos seus que em algum momento já o atrapalharam no trabalho.  Pense em casos em que cada item da lista tenha acontecido. Pode ser entregar as coisas na última hora, ou atropelar os colegas na hora de executar as tarefas, ou focar demais nos detalhes.
  2. Lembre-se que o ser humano sempre faz as coisas por um motivo, sejam elas produtivas ou não. A dica: dê mais uma olhada na sua lista de motivadores, e veja quais deles poderiam estar por trás dos comportamentos anti produtivos que você acaba de listar. Assim, definiremos a intenção por trás do seu comportamento em cada um dos casos nos quais algo não funcionou tão bem. Por exemplo: uma pessoa pode entregar as coisas na última hora porque ela na verdade adora explorar possibilidades, sabendo que isso pode trazer soluções inovadoras, só que com isso pode acabar perdendo a noção do tempo.
  3. Finalmente, pense em quais ações preventivas você costuma tomar para não cair nessas suas armadilhas. Isso é fundamental, pois dirá ao recrutador que você está ciente das suas lacunas, e que você minimiza o impacto delas através de atitudes simples, porém eficazes.

Assim, ao se deparar com o inevitável “Quais são os seus maiores defeitos,” a pessoa poderá falar, “Eu gosto tanto de explorar possibilidades de soluções que, se eu não tomar cuidado, perco a noção do tempo e entrego o projeto na última hora. Para evitar isso, costumo começar os projetos com a maior antecedência possível, e priorizo as soluções que sejam mais viáveis para o cliente. Por exemplo...” contando então um caso em que tenha sido tentado pela sua armadilha, mas tenha conseguido escapulir dela.

Vale a pena dedicar uns 30 minutos a esse exercício alguns dias antes da sua entrevista. A preparação adequada é um dos grandes diferenciais entre pessoas que dão entrevistas brilhantes e as que passam despercebidas pelo radar do entrevistador.

Agora, mãos à obra e boa sorte!

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Este texto pode ser reproduzido pela Emprego e Carreira, o blog da Monster Brasil, desde que citada a autoria de Maria Clara Whitaker, da VITAMINA.

 

 

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